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domingo, 23 de janeiro de 2011
Wassadou 2
No segundo dia depois do pequeno almoço fiquei a preguiçar numa espreguiçadeira do hostel enquanto obervava a vista do rio e grupos de babuínos nas árvores. Não tinha reparado no dia anterior mas em cada grande árvore existia quase sempre um grupo de babuínos.
Aspecto do rio Gâmbia visto do campement Wassadou
Aspecto do rio Gâmbia visto do campement Wassadou
Família de Babuínos descansando numa árvore
Família de babuínos numa árvore
Babuínos, progenitora alimentando cria
Depois a meio da manhã fui dar uma volta de barco que o "campement" arranjava por apenas 4 euros. Foi fantástico! Durante algumas horas subimos o rio Gâmbia e tive a oportunidade de observar varanos de metro e meio, grandes águias pesqueiras, macacos, babuínos e os animais que estava mais curioso por ver: hipopótamos!
Varano descansando na margem do rio
Águia pousada numa árvore da margem do rio
Curiosidades sobre hipopótamos:
Um hipopótamo macho adulto pode medir 4 metros e pesar 3500 quilos!
Apesar do seu peso os hipopótamos conseguem atingir velocidades de 35km/h.
São animais herbivoros que passam a maior parte do dia dentro de água e sobem as margens à noite para se alimentarem da vegetação.
Apesar de serem herbívoros são responsáveis por mais mortes humanas que leões, crocodilos e elefantes juntos por serem muito territoriais e por vezes agressivos. O maior perigo são os machos na época do acasalamento e as fêmeas com crias pequenas.
No entanto os que vi estavam bem calminhos e não tentaram atacar o nosso barco apesar deste se ter aproximado um pouco demasiado na minha opinião.
Hipopótamos no rio Gâmbia
Além da interessante fauna parámos para observar e conversar com um pescador que pescava equilibrando-se sobre o seu pequeno barco de aspecto frágil que parecia poder afundar-se a qualquer instante.
Depois da volta de barco parti ainda naquela manhã em direcção a Tambacounda para a partir de aí atravessar o Senegal até St. Louis o meu próximo destino, no norte do Senegal.
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Wassadou
sábado, 22 de janeiro de 2011
??? - Velingara - Tambacounda - Wassadou
O titulo deste post começa por "???" porque eu não sabia onde era a aldeia em que fomos impedidos de avançar e tivemos que passar a noite, mas depois de consultar o google earth acho que era a aldeia de Dabo, sei que era uma das ultimas aldeias antes de Diaobé.
A viagem entre até Tambacounda correu bem e sem precalços. Passei Diaobé e Velingara sempre no mesmo táxi e cheguei nele a Tambacounda bastante cedo (felizmente a estrada tinha sido arranjada há pouco tempo e o piso estava bom).
Em Portugal tinha planeado ir, se possivel, ao parque nacional de Niokolo-koba, mas à medida que ia recebendo mais informações sobre o parque vi que ia ser muito dificil eu lá ir.
Em primeiro lugar, é dificil visitar o parque durante a estação das chuvas, os acesso são em picadas de terra batida que podem ficar intransitáveis durante a estação das chuvas.
Em segundo lugar a erva alta desta estação torna o avistamento de animais selvagens muito mais improvavel.
Em terceiro lugar é caro, é caro o alojamento dentro do parque, mas principalmente é caro porque é preciso pagar entrada e é obrigatório alugar um jipe com guia.
Por isso decidi visitar alguma zona nas imediações do parque que se pudesse visitar livremente e que tivesse alguma da fauna que eu esperava encontrar no parque. Seguindo as indicações de algumas pessoas com quem falei em Tambacounda decidi ir para o "campement" Wassadou.
Aldeia de Wassadou
Para ir para Wassadou tive que apanhar um táxibrousse de Tambacounda em direcção a Kedougou e sair na aldeia de Wassadou.
Aí comi uma boa sandes de omolete para ganhar forças para a caminhada ao sol até ao "campement" que ficava a cerca de 4 quilómetros da aldeia.
Seguindo o caminho em direcção ao "campement" começamos por atravessar a aldeia, depois uma zona com campos de cultivo que vão gradualmente dando lugar a floresta/savana arborizada. Num dos ultimos campos já rodeado de floresta avistei um bando de babuínos a esgravatar o chão à procura de alimento.
Os babuínos viram-me, alguns observavam de longe mas o grupo continuava tranquilo à procura de alimento até que se ouviu um barulho vindo do lado oposto do campo e os babuínos puseram-se em fuga.
Á medida que avançava a vegetação tornava-se mais densa e ouviam-se cada vez mais sons de animais.Termiteira no caminho para o "campement"
O "campement" Wassadou fica situado numa colina entre um ribeiro e o rio Gâmbia, rodeado de "floresta de galeria". Por toda a parte ouvem-se sons de pássaros e macacos.
As instalações confortáveis, limpas e de boa qualidade.
Em vários sitios existem avisos a desaconcelhar os hóspedes a sairem dos quartos durante a noite porque o "campement" é por vezes visitado à noite pelos hipopótamos e a informar que se deve sempre sair acompanhado por um guia por causa dos animais selvagens... podiam ter avisado antes de eu ter caminhado 4 km até aqui.
Fui dar uma volta a pé, pela beira do rio, mas sem me afastar muito do hostel. Estava a uns 500 metros quando ouvi sons de animais a aproximarem-se de mim. Eram babuínos, gritavam e um deles estava a perseguir o outro. Pararam a lutar com os seus grandes caninos, no meio do caminho mesmo ao meu lado. Mais babuínos correram para ver a luta. Eu afastei-me rapidamente e depois de longe a uma distância segura parei para tirar algumas fotografias.
Deixei os babuínos para trás e continuei um pouco mais, existiam muitos pássaros coloridos Merops bulocki "Guêpier à gorge rouge" em francês. Ao fim de alguns minutos resolvi voltar para trás, não me queria afastar muito.
Em breve cheguei ao local onde estavam os babuínos, entretanto todo o bando, cerca de 30 animais se tinha juntado ali. Estavam no caminho que levava ao campement.
Não existia outro caminho por isso esperei que se afastassem. Não os queria perturbar, mas ao fim de alguns minutos fartei-me de esperar e decidi ir na mesma, julguei que se afastariam ao ver-me aproximar, mas ignoraram-me completamente. Tinha que atravessar mesmo pelo meio do grupo, mas como me estavam a ignorar, não devia existir problema, no entanto quando tentei atravessar os babuínos mais pequenos afastaram-se e os maiores colocaram-se à minha frente assumindo uma postura mais "agressiva". Resolvi voltar para trás... a última coisa que queria era ser atacado por um babuíno, já tinha visto a sua força e os seus grandes dentes na luta a que tinha assistido.
Voltei para trás e esperei mais uns dez minutos, os babuínos continuavam no caminho e eu não podia esperar mais, estava farto e não faltava muito para ser de noite, e aí seria realmente perigoso, podiam aparecer outros animais. Procurei e encontrei um pau grande e vim com ele na mão em direcção aos babuínos. Quando me viram de pau na mão desataram a fugir. Pouco tempo depois cruzei-me com um habitante local e perguntei-lhe se os babuínos eram perigosos. Respondeu-me que geralmente não, que se não se afastarem basta ameaçá-los com um pau...
Á noite tive um jantar agradável com um grupo de espanhóis (e espanholas) que estavam a viajar com uma agência de viagens de aventura e que partiam no dia seguinte. Esperamos pelos hipopótamos, mas eles resolveram não aparecer naquela noite.
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Tabakouta - Barra - Banjul - Sukuta
Passar a fronteira entre o Senegal e o Gâmbia tem as suas particularidades. Pagar ou não pagar para entrar no Gâmbia depende da nossa nacionalidade, da fronteira que escolhemos e de quanto tempo vamos passar no país.
Aparentemente a melhor opção se quisermos apenas seguir para Casamance(Sul do Senegal) sem parar no Gâmbia é seguir a Estrada N4 TransGambia e passar o rio Gâmbia em Farafenni.
No entanto se pretendermos ficar uma ou mais noites no Gâmbia é indiferente a fronteira porque é necessário pagar na mesma. A informação que nos deram foi que por algum motivo o visto seria de borla para africanos, uma pequena quantia para europeus ou americanos e mais caro para franceses ou canadianos.
Eu queria ir passar uns dias ao Gâmbia onde tinha alojamento na casa de um couchsurfer, mas o Julien e o Mourad queriam seguir directamente para Casamance, por isso enquanto que eu apanhei um táxi-brousse para sul para a fronteira de Karang, o Julien e Mourad seguiram para trás para Kaolack para poderem tomar a rota de Farafenni.
Chegado à fronteira tive de carimbar o passaporte em ambos os lados da alfândega. Do lado do Gâmbia foi necessário pagar 6000 CFA (9 Euros) pelo visto.
Tinha de apanhar outro transporte, mas todos os condutores de taxi ou de taxi-bush me queriam fazer um preço bem acima do que era o valor que vinha assinalado no lonelyplanet como sendo o normal, e bem acima do valor que os senegaleses que fizeram a viagem me disseram que se pagava.Tentei negociar de todas as maneiras possiveis e nada deu resultado e eu não estava disposto a pagar um preço dispartado por isso disse aos taxistas que me ia embora para Barra (onde se apanha o ferry para Banjul) a pé (são só 18 km). Ao fim de um quilómetro encontrei mais um taxi-brousse cujo motorista tinha parado para tomar cha. Perguntou-me o que estava a fazer e disse que ia a pé para Barra porque me queriam fazer um preço injusto. Ele disse que me levava a Barra e perguntou quanto é que eu estava disposto a pagar. Disse o meu preço e ele aceitou.
Á chegada a Barra comprei o meu bilhete para o ferry. Felizmente aceitavam Francos da África Ocidental, porque eu ainda não tinha Delasi (não quis comprar na fronteira porque eram do mercado negro e não me estavam a fazer uma taxa boa. Depois de esperar umas horas pelo barco começou a acumular-se uma multidão junto aos portões que davam acesso ao cais de embarque. Institivamente juntei-me ao amontoado de gente que esperava junto aos portões, então abriram os portões e as pessoas desataram a correr para o barco. Desatei a correr também e percebi que quem não corre arrisca-se a ficar em terra à espera do próximo barco que pode demorar horas. Eu só consegui um lugar ao sol, mas fiquei no barco, muitas pessoas não tiveram a mesma sorte e ficaram no cais.
Cheguei a Banjul e julguei que agora já não havia mais espera era só sair do barco e ir à minha vidinha... Puro engano, primeiro esperei uns minutos até que abrissem os portões, depois fui chamado pela policia (os outros brancos também) e tive que mostrar o passaporte, a mochila e todo o seu conteúdo para mostrar que não estava a fazer contrabando.De seguida tive que exibir todos os medicamentos que tinha em minha posse para serem inspecionados. Nunca durante toda a viagem vi gente a trabalhar com tanto zelo como os policias inspecionavam os medicamentos dos turistas. Obviamente que eu levava bastantes medicamentos, estava prevenido para muitas coisas. Tinha o medicamento de prevenção da malária, 2 caixas de imodium, anti-histaminicos, anti-inflamatórios, anti-ácidos e um antibiótico de largo espectro e umas pastilhas de clorina para desinfectar água. Primeiro verificaram se os comprimidos no interior de cada caixa correspondiam à embalagem, depois verificaram um por um o principio activo de cada medicamento e conferiram nas listas deles (umas 12 páginas de fotocópias com as letras muito pequeninas) se a substância presente no medicamento era ilegal no Gâmbia. Verificaram e verificaram e pareciam muito desapontados por não encontrarem nada. Grande parte dos outros turistas que estavam a ser inpecionados tinha algum tipo ilegal de comprimido e tinham de pagar multas pesadas (por exemplo qualquer tipo de anti-depressivos era ilegal, mesmo se prescrito por um médico).
Finalmente deixaram-me ir embora.
Fui ao banco levantar alguns Delasi e a um tasco almoçar. A comida era bastante enjoativa; arroz com um molho de tomate misturado com carne e peixe moidos.
Até chegar ao hotel onde trabalha o Alieu ainda tive que apanhar autocarro e táxi.Gostava de dizer que vi várias coisas no Gâmbia, mas a verdade é que vi muito pouco. A única coisa que fiz foi andar com o Alieu pelo bairro dele a visitar a casa dos seus vários amigos. Passamos o dia a ver televisão em Wolof e videoclips de rap Gâmbiano, Senegalês e Jamaicano. Os amigos não eram muito comunicativos.
Devia ter ido à praia perto do hotel quando lá estive, mas na altura julguei que lá voltava mais tarde e não me passava pela cabeça que fosse preciso apanhar dois ou três táxis diferentes para lá chegar (táxis colectivos, se forem individuais basta um, mas isso é caro).
Ainda assim deu para ficar com algumas impressões, o país é muito parecido com o Senegal, mas existem menos "chatos de rua" (pessoal que nos quer à forçar vender coisas ou mostrar a cidade), não se discute política na rua nem se pode dizer mal do presidente em público, as pessoas falam inglês como segunda lingua em vez de françês.
Depois de dois dias no Gâmbia (que deviam ter sido melhor aproveitados) parti de novo para o Senegal, desta vez rumo a Casamance, a provincia do Senegal a sul do Gâmbia.
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