
Depois de quatro dias em Dacar era altura de partir. A minha próxima etapa era Diofior onde o Moustapha me iria receber. Segundo as indicações dele a melhor forma de chegar a casa dele era apanhando o autocarro nº? (já não me lembro) que partia da central de Dacar ás onze. Depois o motorista que o Moustapha conhecia dir-me-ia onde devia sair do autocarro.
Cheguei á central de autocarros à hora que o Moustapha me tinha indicado e quando vi que o autocarro ainda estava praticamente vazio percebi que tinha uma longa espera á minha frente.
Fora do autocarro, o sol estava a pique e aquecia-me a cabeça, não existiam sombras, a atmosfera era poeirenta e cheia de fumo dos tubos de escape, dentro do autocarro era ainda mais quente. Fui comprar um saco de água fresca. A água vendida em sacos plásticos é muito mais barata que a de garrafa, a água é embalada em sacos, não são simplesmente sacos cheios com água, a água que se compra na rua está fresca porque os sacos ou garrafas são guardados dentro de malas térmicas cheias de gelo.
O autocarro foi enchendo devagar, eu comparava água de 30 em 30 minutos com o calor. Não me tinha lembrado de trazer lanche para a viagem mas comprei umas maças a um vendedor ambulante, e as pessoas que estavam perto de mim no autocarro ofereceram-me amendoins, bolachas, bananas... é sempre fascinante o espírito de partilha das pessoas nos países africanos que visitei, sempre que vão comer alguma coisa oferecem a toda a gente que está á volta. Até a música que estavam a ouvir nos headphones quiseram partilhar comigo. Uma senhora idosa deu-me umas grandes sementes para a mão. Perguntei o que era e não me soube explicar (mais tarde descobri que devia ser noz de cola), mas disse que era para aguentar melhor o calor e para dar energia. Ela também estava a mascar umas iguais e já tinha visto várias pessoas na rua a mascar sementes iguais. Trinquei, tinham um sabor amargo muito forte, não sei se foi efeito placebo mas algum tempo depois o calor pareceu-me um pouco mais suportável.Finalmente, por volta das 13h ou 14h e já com o autocarro cheio partimos.
A primeira parte da viagem é lenta. Dacar fica numa península e todo o trânsito entra ou sai da cidade por uma de duas estradas. O resultado são filas enormes de carros a qualquer hora do dia.
À medida que nos afastamos mais de Dacar, os subúrbios, dão lugar à savana.
O relevo é relativamente plano, a erva verde cobre a terra vermelha e embondeiros espaçados salpicam a paisagem. Depois de Tatadem as pessoas começaram a saír nas suas paragens. Não era fácil saber onde estava porque raramente existiam placas e eu não tinha mapa.. Tentei falar com o motorista que supostamente conhecia o Moustapha, mas não percebi nada do que ele disse apesar dele dizer algumas palavras em francês.
Finalmente quando já só haviam 3 ou 4 pessoas no autocarro passámos numa tabuleta que dizia Diofior, fui falar de novo com o motorista, mas ele disse: Non! Plus tard! e fez-me sinal que voltasse para o meu assento. Deve ser nesta aldeia mas numa paragem mais a frente pensei. Mas logo a seguir o autocarro saiu da aldeia. Passados alguns quilometros noutra aldeia os ultimos passageiros sairam. Fui falar com o motorista mas ele voltou a responder: - Non. Plus tard.
O autocarro deu a volta e estava de novo a caminho de Diofior, mas antes de chegar, meteu por um caminho de terra até chegarmos a uma rua com casas/cabanas, o motorista parou o autocarro e mandou-me sair, chovia, o motorista apontou-me o portão duma casa. Bati à porta, apareceu o Moustapha.